Thaís Linhares. “A Guerrilha Segundo Abraham Guillén”
O pensador espanhol Abraham Guillén (1913-1993), exilado na América Latina, refletiu sobre a luta armada a partir de sua experiência na Revolução Espanhola e do contato com ditaduras e guerrilhas locais, especialmente no Uruguai (Tupamaros e OPR-33). Dialogando com o foquismo de Guevara e Debray, Guillén reconhecia o papel insurrecional de pequenos grupos armados, mas ressaltava que o êxito dependia da mobilização popular. Criticava a ideia de iniciar focos guerrilheiros sem objetivos políticos claros, pois isso facilitava a repressão. Para ele, a guerrilha deveria estar intrinsecamente ligada às massas e às lutas sociais, buscando não apenas reformas, mas uma ruptura com o sistema. Defendia ainda instâncias deliberativas de base, baseadas na democracia direta e na autogestão, como caminho para construir o poder político popular e integrar as classes marginalizadas ao processo revolucionário.
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